quinta-feira, 9 de abril de 2026

NEY MATOGROSSO PÕE PÚBLICO PARA DANÇAR NO ARAÚJO VIANNA, QUE TERÁ OUTRO SHOW DO CANTOR NESTE SÁBADO

Texto e fotos: Chico Izidro
Passava um pouco das 21h da quarta-feira, dia 8 de abril, quando as luzes do Araújo Vianna se apagaram rapidamente e logo voltaram, para mostrar uma figura esguia e com uma roupa amarelo brilhante no meio do palco: Ney Matogrosso, do alto de seus 83 anos, nos 90 minutos seguintes daria um show de agilidade, pulando, dançando, mostrando o corpo sarado, e muito domínio vocal, para delírio do público, que lotou totalmente o auditório, para assistir o espetáculo “Bloco na Rua”. Ney fará uma segunda apresentação neste sábado, dia 11, novamente no Araújo Vianna, a partir das 21h.
A música “Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua”, de Sérgio Sampaio, abriu o show, calcado em covers de artistas brasileiros variados, desde Rita Lee, passando por Tim Maia, Barão Vermelho e até Raul Seixas.
Sobre a escolha das músicas, Ney antecipou: “Não é um show de sucessos meus, mas quis abrir mais para o meu repertório. Dessa vez eu misturei coisas que já gravei com repertório de outras pessoas”.
Ney agitou toda a plateia, cantando com muita força hits como “A Maçã”, de Raul Seixas, “O Beco”, dos Paralamas, que Ney havia gravado nos anos 1980. Teve também “Iolanda”, de Chico Buarque, “Pavão Mysterioso”, de Ednardo, “Jardins da Babilônia” e “Corista do Rock”, ambas de Rita Lee, “Mesmo Que Seja Eu”, de Erasmo Carlos. Todo mundo cantou junto, dançou.
Ney propôs após cantar “Sangue Latino”, dos Secos & Molhados (banda que alçou Ney ao sucesso nos anos 1970): “Eu proponho a vocês, o show acaba aqui ... aí eu ia fazer que iria embora, vocês ficariam pedindo pra eu voltar... então eu sigo direto mais um pouco e vou embora depois. Já estou cansado”, disse.
Então Ney emendou mais uns 20 minutos, soltando “Pro Dia Nascer Feliz”, do Barão Vermelho, “Como Dois a Dois”, de Caetano, e fechou com seu grande sucesso de 1981, “Homem com H”. O público aplaudiu por muitos minutos o cantor e sua banda. Um baita show.
O figurino e a produção visual do show foram um espetáculo à parte. A roupa brilhante usada por Ney foi desenhado pelo estilista Lino Villaventura, enquanto o cenário, com suas projeções, foi idealizado por Luiz Stein. A iluminação do show, sob a supervisão do dono de “Homem Com H”, recebeu assinatura de Juarez Farinon.
A banda que acompanhou Ney contou com Sacha Amback (direção musical e teclado), Marcos Suzano e Felipe Roseno (percussão), Dunga (baixo), Mauricio Negão (guitarra), Aquiles Moraes (trompete) e Everson Moraes (trombone).

Banda Sacrario retorna e anuncia novo material

Foto: Everton Krentz
Após um período de reestruturação e afastamento dos palcos, a banda porto-alegrense Sacrario está de volta. O grupo, surgida em 1990, retorna com nova formação e trabalhos já em desenvolvimento.
Com mais de três décadas de trajetória, o grupo construiu uma reputação sólida no Underground sul-americano, sendo responsável por álbuns como “Catastrophic Eyes” (1996/2008), “Stigma of Delu sion”(2010), “Beyond the Violence“ (2012), “Asesinos” (2012/EP) e “Circle of Psychopaths” (2015).
Agora, o retorno acontece com uma formação que une experiência, coesão e identidade artística bem definida: Fabbio Webber (guitarra e vocal), Gladimir Purper (guitarra e vocal/Apocrifus), Alex Carrion (baixo) e Everson Krentz (bateria).
O quarteto já se encontra em estúdio, trabalhando em novas composições que darão origem a um single inédito — o primeiro lançamento desta nova etapa — que também servirá como ponto de partida para um futuro álbum completo.
A nova fase da Sacrario promete manter a essência que consolidou a banda, com riffs agressivos, velocidade do Thrash Metal Clássico e uma abordagem contemporânea na construção das músicas.
O retorno também marca a retomada definitiva das atividades após o hiato imposto pela pandemia, período no qual a banda optou por focar na composição e reorganização interna.
Novidades sobre o single e futuros lançamentos serão divulgadas em breve.
Veja Lyric Video de “Circle Of Psychopaths” no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=xqGGZ8V6ImY

Ritualist lança o álbum "Awakening Protocol" com show ao lado do Hangar, em Porto Alegre

Foto: Cogumelo em Cena
A banda Ritualist lança no próximo dia 17 de abril, sexta-feira, o seu novo álbum, “Awakening Protocol”, em show abrindo para a Hangar no Espaço Marin, na Rua Professora Cecy Cordeiro Thofehrn, 413, no Bairro Sarandi, em Porto Alegre, em uma produção da Arena Produtora. A apresentação começa às 20h.
Conforme a banda, o disco “Awakening Protocol” apresenta uma sonoridade que funde o Heavy Metal Tradicional a elementos modernos e extremos. O disco é a consolidação de anos de trabalho e o resultado direto da obstinação de seus fundadores frente aos desafios do cenário independente. Inteiramente produzido e gravado pelo guitarrista Rogério Reis e pelo vocalista Ricardo Janke, o lançamento do álbum foi ancorado pelo single "Silicon Heart", que teve seu lyric video lançado em janeiro.
A temática do trabalho tem como foco uma narrativa distópica sobre o conflito entre a natureza humana e o avanço tecnológico descontrolado. As composições expõem a perda de liberdade e a artificialidade das emoções contemporâneas, funcionando como um alerta sobre os perigos de um progresso que escraviza. E para enriquecer “Awakening Protocol”, a dupla trouxe convidados de peso: Cristiano Poschi (Phornax) divide os vocais na faixa "Simulacra", enquanto Rod Marenna e Renato Osorio somam forças em "Your Mask".
Rogério Reis falou sobre a expectativa de abrir para o Hangar: “Tocar ao lado destas verdadeiras referências do Metal gaúcho é uma honra, e agradecemos o convite da Arena pela oportunidade. Neste show apresentaremos músicas deste novo trabalho, que ao vivo ganharão uma dimensão muito maior daquela registrada em estúdio, mostrando esta nova fase da banda”.
Já o Hangar, que volta a tocar ao vivo em Porto Alegre após oito anos, prepara um show muito especial, celebrando a trajetória consolidada de uma das maiores bandas de Heavy Metal do Brasil. A banda conta atualmente com Pedro Campos nos vocais, Fabio Laguna nos teclados, Cristiano Wortmann e Eduardo Martinez nas guitarras, Nando Mello no baixo e Aquiles Priester na bateria.
O Espaço Marin conta com uma grande infraestrutura física e tecnológica de áudio e iluminação de ponta. Com vendas de ingressos via Ticket Arena, o local oferece opções que dão acesso a mesas, camarotes com sofás e ingressos especiais para a melhor experiência possível do público de Porto Alegre.
Serviço:
Hangar e Ritualist
Local: Espaço Marin
Endereço: Rua Professora Cecy Cordeiro Thofehrn, 413, no Bairro Sarandi, em Porto Alegre
Data: 17 de abril de 2026, sexta-feira
Horário:
19h - Abertura das portas
20h - Ritualist
21h30 – Hangar
Produção: Arena Produtora
Apoio: Arena Heavy
Ingressos: Disponíveis no site Ticket Arena
https://ticketarena.com.br/event/hangar-em-porto-alegre/208
Escute o álbum "Awakening Protocol" no Spotify: https://open.spotify.com/intl-pt/album/7EfSnq9xoi0eKkOuCbOM9e
Veja o videoclipe de “Silicon Heart”: https://www.youtube.com/watch?v=MreWmZBlEDE

segunda-feira, 6 de abril de 2026

EXTREME, COM MUITO HARD ROCK, MOSTRA QUE NÃO É BANDA DE UMA BALADA

Texto: Chico Izidro
Fotos: Fernanda Sarate
Depois de ter feito um grande show no “Monters of Rock” no sábado, em São Paulo, o Extreme, banda americana surgida em Boston, se apresentou nesta segunda-feira, dia 6 de abril, no Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre. E o grupo liderado por Gary Cherone (voz) e Nuno Bittencourt (guitarra) apresentou um espetáculo calcado em muito Hard Rock. Destaque para o guitarrista português de 59 anos e seus solos monstruosos.
O show começou com uns 15 minutos de atraso em um Araújo que não estava lotado. Porém, o público presente, desde o primeiro minuto até o final mostrou muito entusiasmo, quase ninguém ficou sentado, e cantou junto, atendendo os pedidos de Gary Cherone.
A banda tem seus detratores, muito por causa da belíssima “More Than Words”, que muito roqueiro renegou lá em 1992, quando ela surgiu e era repetida ad nauseam na hoje extinta MTV. Hoje, os corações dos roqueiros estão mais abertos e a música virou um clássico. E também teve a passagem frustrada do vocalista Gary Cherone no Van Halen no final da década de 1990. Mas o Extreme se mostrou uma baita banda.
O instrumental do Extreme remete direto ao Van Halen – Nuno inclusive toca rapidamente o clássico “Eruption”. O Queen também foi homenageado, com covers de “We Will Rock You” e “Crazy Little Thing Called Love” (uma das minhas músicas preferidas do quarteto inglês.
Contando também com Pat Badger no baixo e Kevin Figueiredo na bateria, o Extreme começou atacando com “It’s a Monster” e “Decadence Dance”, mas também executaram “Rest in Peace” e “Cupid’s Dead” e promoveram o disco mais recente, “Six” (2023), com faixas como “#Rebel”, “Thicker Than Blood” e “Rise”, que fechou o show.
Nascido em Portugal, Nuno foi o porta-voz da banda, falando com seu sotaque da Terrinha com o público. Antes de tocar “Hole Hearted”, o guitarrista perguntou em nosso idioma: “Quem aqui está a ver o Extreme pela primeira vez levanta a mão?” A maior parte do público respondeu rapidamente. Em seguida, ele perguntou quem viu a banda em 1992?”. Poucos presentes levantaram as mãos.
Nuno Bittencourt brilhou também na instrumental “Midnight Express”. Um absurdo de qualidade técnica demonstrada pelo músico. A já comentada “More Than Words” foi o grande momento do show, com Nuno dedilhando o violão e o vocal pegajoso de Cherone...para derreter os corações apaixonados no Araújo Vianna.
A pesada “Rise” encerrou o show em um bis solitário. O público saiu do auditório com um sorriso nos lábios, nem se importando com a chuva forte que caia lá fora. O Rock vive!

Acústicos & Valvulados na turnê “Fiesta Forever” em seus 35 anos de carreira na sexta-feira, dia 10, no Auditório Araújo Vianna

Foto: Facebook
Nesta sexta-feira, dia 10 de abril, a banda gaúcha Acústicos & Valvulados se apresenta no Auditório Araújo Vianna, na Avenida Osvaldo Aranha, 685, Parque Farroupilha, Bom Fim, em show de sua turnê “Fiesta Forever”, e ainda celebrando 35 anos de carreira. O show começa às 21h.
O grupo, formado em 1991, já ultrapassou mais de 2.000 shows nestas três décadas e meia, dez CDs, três DVDs e inúmeros hits marcantes do Rock Gaúcho e Brasileiro, os Acústicos & Valvulados seguem como uma das bandas mais importantes do Sul do país.
Donos de sucessos como “Fim de Tarde Com Você”, “Até a Hora de Parar”, “Milésima Canção de Amor” e “Suspenso no Espaço”, o grupo acumulou indicações ao VMB/MTV, Prêmio Dynamite e Açorianos, além de participações em grandes festivais e colaborações com artistas como Frejat e integrantes do Skank.
A banda conta com Rafael Malenotti (vocal), Alexandre Móica (guitarra), Daniel Mossmann (guitarra), Diego Lopes (baixo) e Paulo James (bateria).
Serviço:
Acústicos & Valvulados – “Fiesta Forever”
Local: Auditório Araújo Vianna
Endereço: Avenida Osvaldo Aranha, 685, na Avenida Osvaldo Aranha, 685, Parque Farroupilha, Bom Fim
Quando: 10 de abril de 2026, sexta-feira
Horário: 21h
Abertura da casa: 19h30
Escute – “Fim de Tarde Com Você” no Spotify: https://open.spotify.com/intl-pt/track/64n3vgI6JuqMv7F2H7kYdX
Veja – “Até a Hora de Parar” no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=kKUtxRXFKKo&list=RDkKUtxRXFKKo&start_radio=1

43º Festival Rocha Dura – “Mulheres no Fronte”, reúne seis bandas com vozes femininas, em Porto Alegre

Foto: Hipátia / Indy Lopes
O 43º Festival Rocha Dura, dedicado às Mulheres no Fronte, está marcado para o sábado, 18 de abril, às 20 horas, no Caos Bar, na Rua João Alfredo, 701, Cidade Baixa, em Porto Alegre.
A edição especial apresenta show autoral de Rock com as bandas Välika, Punkrockets, Os Aciderais, Sem Carisma, Afronta Canis e Hipátia, que estreia nos palcos. Dos seis grupos com mulheres nos vocais, três tem formação exclusivamente feminina.
O projeto itinerante tem como objetivo a inclusão de artistas autorais independentes na cena musical de Porto Alegre e Região Metropolitana. Já foram realizadas 42 edições com a participação de 123 bandas em 171 shows, incluindo centenas de musicistas.
As bandas
Punkrockets
Banda porto-alegrense de Punk Rock, autoral, criada em 2019. A PunkRockets já lançou dois singles: “3 Acordes” (2020) e “Miragem” (2021), e participou do EP coletânea "Xis Underground" (2021) com a faixa “Pandemia”, a obra está disponível nas plataformas digitais. É integrada por Déby (bateria), Clara (voz), Lia (guitarra e vocais) e Rok (baixo).
Hipátia
Banda de Rock, formada em 2025 em Porto Alegre. O grupo é formado por Thaís Rossi (voz), Chiara Abreu (guitarra e vocais), Clara Morales (baixo e vocais) e Mirella Mota (bateria).
Os Aciderais
Banda porto-alegrense com influências do Rock Clássico, Hard Rock Setentista, Psicodelia e do Rock Brasileiro. Os Aciderais buscam transmitir a cada apresentação uma experiência visceral e psicodélica. O quarteto lançou nas plataformas o Lado B do álbum de estreia "Aciderais", em 2026, onde as músicas flutuam sob referências de The Doors, Os Mutantes, Raul Seixas e Janis Joplin. Conta com Anny (voz), Giovanni (guitarra), Letícia (baixo) e Jeff (bateria.
Sem Carisma
Criada em 2022 em Porto Alegre, misturam Punk, Underground e Feminismo. Em 2024 lançou o EP “Caótico tá Ótimo” (Loop Discos), e em 2025 duas faixas novas, “Palha” e “Calcinha”, disponíveis em todas as plataformas. A ideia sempre foi produzir suas letras fazendo críticas e trazendo suas próprias experiências com um tom de deboche, convertendo suas histórias reais em músicas cruas e despretensiosas. Suas referências passam por Hole, Blondie, Bikini Kill, PJ Harvey e Sonic Youth, entre outras.
Afronta Canis
Formada em dezembro de 2023, nasceu no coração do bairro IAPI, na zona norte de Porto Alegre. Afronta, do Latim affrontare, “ofender, desrespeitar”, originalmente “bater na face”, da expressão ad frontem, junto a referência de Canis (cães) são a expressão da banda com sons que prezam pela originalidade e sentimentos viscerais que formam a banda. Apresenta influências diversas trazidas por cada integrante, variando do Nu Metal ao Grunge, do Rap ao Ragga. Atualmente a banda dedica-se na divulgação de seu álbum de estréia, “A Típica Mente”. A sua formação conta com Jade Devil (voz), Rafael Heberle (guitarra), Felipe Farias (baixo) e Eritom Castilhos (bateria).
Välika
A Välika emergiu do cenário apocalíptico da pandemia em 2022. Desde lá lançou seu primeiro álbum auto-intitulado e o EP “Tartarus”. Seu trabalho passeia pelo Hardcore e Metal. A banda consolidou sua formação com Thami Athanasio (voz), Moises Borba (guitarra), Eduardo Rutkowski (baixo) e André Znort (bateria).
Serviço:
43º Festival Rocha Dura – “Mulheres no Fronte”
Shows: Punkrockets, Hipátia, Os Aciderais, Sem Carisma, Afronta Canis e Välika
Local: Caos Bar
Endereço: Rua João Alfredo, 701, Cidade Baixa, em Porto Alegre
Data: 18 de abril, sábado
Horário: 20h
Ingressos: R$ 15,00 antecipados pelo site www.caospoa.com.br - R$ 20,00 na hora
Produção
Apoio: Jaydson, Rock 'N' Cake, Girl Got a GoPro e Clara Morales Fotografia
Realização: Rocha Dura Produções
Escute Punkrockets – “Pandemia” no Spotify: https://open.spotify.com/intl-pt/track/2RBkk6XQGmqFu5b8VU9oJt
Escute Os Aciderais – “Aciderais – Lado B” no Spotify: https://open.spotify.com/intl-pt/album/0mmOI4yW1synNaLPIxUBJ8
Escute Sem Carisma – “Calcinha” no Spotify: https://open.spotify.com/intl-pt/track/13Z0WOHg8hx9cy9A9pePgu
Escute Afronta Canis – “A Tipica Mente” no Spotify: https://open.spotify.com/intl-pt/album/4DA2tnrR7tuq4YIJo2oYLg
Escute Välika – “Tartarus” no Spotify: https://open.spotify.com/album/1EaNM4X96p8v4eIvOGtBEC

GUNS N’ ROSES FEZ SORRIR E VIBRAR AQUELA FÃ QUE RECORDOU SUA ADOLESCÊNCIA

Texto: Fernanda Sarate
Fotos: Divulgação / Guns N’ Roses
Tem quem diga que é difícil ver um adolescente sorrindo. Na noite da quarta-feira, 1º de abril, no Jockey Club, no Cristal, na zona Sul de Porto Alegre. a adolescente Fernanda sorriu. Aquela garota que, nos anos 1990, acompanhava a turnê de suas bandas preferidas nas páginas da hoje finada revista ShowBizz, que esperava ansiosamente as músicas favoritas tocarem no rádio, que gastava CDs de tanto repetir as faixas prediletas.
De repente, ela estava ali, entre 25 mil pessoas, vendo pela primeira vez o Guns N' Roses ao vivo. E foi impossível não pensar em tudo o que esse momento já tinha sido antes para ela: expectativa, imaginação, vontade.
Passavam pouco mais das 20h45min (o show estava programado para iniciar às 20h30min), e os primeiros acordes de “Welcome to the Jungle” não foram apenas a abertura perfeita do espetáculo, mas um convite para algo memorável e que recebeu do público resposta imediata. Vozes em uníssono, braços erguidos, uma energia pulsante que só o rock em sua forma mais pura consegue proporcionar: uma espécie de pacto silencioso entre músicos e plateia, renovado a cada riff.
No centro desse turbilhão, Axl Rose, apesar de sua voz um pouco falha, conduziu tudo com uma energia impressionante, ainda muito magnética. Ao seu lado, Slash fez de cada solo um acontecimento técnico, artístico, emocional, hipnótico. Já Duff McKagan manteve a base firme, sustentando o peso e a fluidez de um repertório que atravessa décadas sem perder impacto. A banda, que ainda contava com Richard Fortus (guitarra), Dizzy Reed (teclados) e Isaac Carpenter (bateria), entregou exatamente o que se esperava: intensidade do início ao fim, muitos clássicos de sua carreira e algumas surpresas que tornaram essa experiência ainda mais inesquecível.
Entre essas surpresas, os covers funcionaram como pontes afetivas. “Live and Let Die”, da banda de Paul McCartney, os Wings, surgiu grandiosa, “Knockin' On Heaven's Door”, de Bob Dylan, trouxe um momento quase catártico e “Sabbath Bloody Sabbath” ganhou contornos especiais ao ser dedicada a Ozzy Osbourne em uma homenagem que ecoou forte, conectando gerações e referências dentro do próprio show.
Quase perto do fim, não foi só uma adolescente que sorriu, quando soaram os primeiros acordes da música mais famosa da banda, o hit "Sweet Child O' Mine". Foram adolescentes de todas as idades, espalhados pela multidão, reconhecendo ali não apenas uma banda, mas um pedaço de si mesmos.
E para arrematar, e fazer todo mundo se arrepiar, Axl colocou o seu terno prata com brilhantes, sentou ao piano e dedilhou "November Rain", para as lágrimas caírem dos olhos dos fãs de todas as idades, ainda mais com o solo grandioso de Slash.
A noite grandiosa e inesquecível para aquela garota que recordou seus tempos de adolescente terminou com as vibrantes “Night Train” e "Paradise City". Foram, enfim, 2h26min de show e 25 músicas para nunca mais esquecer.

NEY MATOGROSSO PÕE PÚBLICO PARA DANÇAR NO ARAÚJO VIANNA, QUE TERÁ OUTRO SHOW DO CANTOR NESTE SÁBADO

Texto e fotos: Chico Izidro Passava um pouco das 21h da quarta-feira, dia 8 de abril, quando as luzes do Araújo Vianna se apagaram rapidame...