quinta-feira, 30 de julho de 2026

NAZARETH CELEBROU 55 ANOS DE CARREIRA NO PALCO DO OPINIÃO

Texto e fotos: Luciana Espíndola
No domingo, dia 26 de julho, o Bar Opinião recebeu o Nazareth para uma noite de celebração: os 55 anos de carreira da banda escocesa, marcados pela passagem da “Latin America Hits Tour 2026”. Casa lotada, público de todas as idades e, curiosamente, até um bebê no colo entre os fãs – acompanhando em êxtase os clássicos que atravessaram gerações e emprestaram trilha sonora a incontáveis produções de cinema e TV.
O setlist reuniu praticamente meio século de repertório: "Telegram", "Miss Misery", "Razamanaz", "Shanghai'd In Shanghai", "Madness", "Dream On", "Holiday", "This Flight Tonight", "Light Comes Down", "Whiskey", "Beggars Day", "Changin' Times", "Hair Of The Dog", "Love Hurts", "Turn On Your Receiver", "Where Are You Now" e "Go Down Fighting".
A formação atual
À frente do baixo está Pete Agnew, aos 79 anos o único remanescente da formação original. No vocal, uma novidade recente: o italiano Gianni Pontillo, ex-integrante da banda alemã Victory, que assumiu o posto em dezembro de 2025 no lugar de Carl Sentance. Na bateria, desde 1999, está Lee Agnew, filho de Pete. Na guitarra, desde 1994, Jimmy Murrison completa a banda.
Onde tudo começou
O quarteto clássico que fundou a banda em 1968 era formado por Dan McCafferty no vocal (falecido em novembro de 2022), Manny Charlton na guitarra (falecido em julho de 2022), Pete Agnew no baixo e Darrell Sweet na bateria (falecido em abril de 1999). De uma formação original de quatro, restou apenas Agnew — e é sob sua liderança que a banda segue viva, agora com sangue novo no vocal.
Três curiosidades para quem só conhece "Love Hurts"
O nome não é bíblico – é musical. Formada em 1968 na cidade escocesa de Dunfermline, a banda vinha de anos tocando covers antes de adotar identidade própria. O batismo "Nazareth" não veio direto das escrituras: foi emprestado de um verso da canção "The Weight", da banda canadense The Band: “I pulled in to Nazareth, was feeling 'bout half past dead […]”.
A balada mais famosa da banda nasceu em outro estúdio. "Love Hurts" – hoje indissociável do Nazareth – é uma composição do americano Boudleaux Bryant, gravada anos antes pela dupla Everly Brothers. A versão do Nazareth, mais lenta e dramática, acabou eclipsando o original e virou um dos covers mais reverenciados do Rock.
O pontapé veio de um baixista do Deep Purple. Os dois primeiros discos, "Nazareth" (1971) e "Exercises" (1972), passaram quase despercebidos. A virada aconteceu quando Roger Glover, baixista do Deep Purple, assumiu a produção da banda – o resultado foram álbuns como "Razamanaz" e "Hair of the Dog", que definiram o som pesado pelo qual o grupo ficou conhecido.
Depois das luzes
Encerrado o show, a banda foi até a pista premium, em frente ao palco, para receber os fãs de perto. Na sequência, uma recepção mais reservada aconteceu no camarim – todos extremamente simpáticos e atenciosos. Gianni Pontillo, mesmo recém-chegado à banda, já circula com desenvoltura entre o público brasileiro e fala português com fluência.
A cena mais simples, porém, ficou para depois: enquanto a equipe técnica desmontava os equipamentos e carregava tudo para fora do Opinião, Pontillo foi flagrado batendo papo com a produção na rua Joaquim Nabuco, quase esquina com José do Patrocínio – e ainda parou para posar para fotos com vendedores ambulantes da região. Uma lenda do Rock, sim, mas também gente como a gente.

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