quarta-feira, 29 de abril de 2026

O CULTO DA LUCIFER EM PORTO ALEGRE — ENTRE RITUAL, MEMÓRIA E AFIRMAÇÃO NO ROCK CONTEMPORÂNEO

Texto: Cássio Toledo – Canal na Ponta da Agulha
Fotos: Giovanni John Maglia
Na véspera de feriado de Tiradentes, uma noite de segunda-feira, dia 20 de abril, Porto Alegre recebeu um tipo diferente de manifestação: estética, sonora e quase espiritual.
A estreia do Lucifer no Espaço Marin não foi apenas mais um show de turnê. Foi um capítulo dentro de um movimento maior que a banda vem desenhando ao vivo: transformar apresentações em experiências de imersão, onde som, imagem e memória se cruzam.
E isso já vinha sendo percebido dias antes, em Florianópolis.
No palco do Célula Showcase, a banda entregou um show descrito como intenso e guiado por atmosfera, com uma abordagem que vai além da execução musical — há uma construção emocional que dialoga com nostalgia, tempo e pertencimento . Essa ideia ajuda a entender o que se viu em Porto Alegre: o Lucifer não toca apenas músicas, mas ativa sensações.
Pontualmente às 21h, no Espaço Marin, o cenário se repetiu — e se aprofundou.
A iluminação vermelha dominante não é um mero recurso estético. Ela funciona como linguagem. Cria um ambiente denso, quase litúrgico, que conecta diretamente com a proposta da banda: um rock que flerta com o oculto, mas sem caricatura. Há controle, intenção e identidade.
Com pouco mais de apenas 200 pessoas, o show em Porto Alegre teve um caráter quase secreto — como se fosse reservado a iniciados. E isso potencializa a experiência. Diferente de grandes festivais, aqui o impacto é direto, sem filtros.
O repertório percorreu os quatro álbuns da banda, consolidando uma década de trajetória construída com consistência. Faixas como “Lucifer” e “Bring Me His Dead” funcionam como pilares, enquanto as músicas mais recentes — especialmente do ótimo álbum “Lucifer V” — mostram uma banda em plena evolução criativa.
Canções como “At The Mortuary” e “Slow Dance In A Crypt” reforçam essa dualidade: peso e melodia, densidade e acessibilidade. Não é um Doom Metal arrastado no sentido clássico — há dinâmica, há respiro. E isso explica parte da conexão com o público.
Mas o centro gravitacional continua sendo Johanna Sadonis.
Sua presença de palco não é expansiva no sentido tradicional. Não há exagero, nem teatralidade forçada. O magnetismo vem da contenção. Da forma como sua voz — ao mesmo tempo doce e carregada — conduz as músicas e sustenta a narrativa do show. Ao vivo, isso se traduz em algo difícil de replicar em estúdio: sensação.
Ela soube bem em reestruturar a banda, após o divórcio com seu companheiro de vida e de banda, o co-fundador Nicki Anderson, a voz da The Hellacopters, com quem gravou os álbuns, ele era o baterista da banda.
Atualmente, os Luciferianos são Rosalie Cunningham (tem ótima carreira solo, vale conferir) dividindo as guitarras com Coralie Baier; Claudia González Diaz no baixo que tocou muito nessa noite com seu Rickenbecker, e o sósia do Lemmy Kilmister, o jovem Kevin Huhn na bateria.
Esse aspecto já havia sido percebido em outras apresentações da banda no Brasil, onde a performance é descrita como envolvente, com forte uso de atmosfera e uma execução que soa tão ou mais impactante do que as gravações.
Em Porto Alegre, isso ficou evidente.
A banda soa coesa, segura e sem excessos. Não há virtuosismo gratuito. Tudo está a serviço da música — e da experiência. Os riffs são diretos, carregados de identidade setentista, mas com uma leitura contemporânea que evita o pastiche.
E talvez seja exatamente aí que mora a resposta para a pergunta central: por que o Lucifer já figura como uma das principais forças do Rock Mundial atual?
Porque entende algo que muitas bandas perderam: o rock não é só som — é linguagem, estética e memória.
O show, com cerca de 75 minutos, segue a lógica da banda: intensidade concentrada. Sem excessos, sem dispersão. E, como em outras cidades, deixa aquela sensação inevitável de que poderia ter durado mais — não por falta, mas por impacto.
No fim, o que fica não é apenas a lembrança das músicas tocadas, mas da atmosfera construída. Um tipo de experiência que não se encerra quando as luzes se apagam.
Assim como em Florianópolis, onde o show foi marcado por essa relação entre intensidade e memória, Porto Alegre recebeu não apenas uma apresentação — mas um rito contemporâneo dentro do Rock.
E quem esteve lá, sabe: não foi só um show.
Foi o culto.

SOB A CHUVA E APLAUSOS, GUILHERME ARANTES EMOCIONA PORTO ALEGRE COM 50 ANOS DE MÚSICA E MUITO CARISMA

Texto e fotos: Luciana Espíndola
Com piano de cauda, histórias que precediam cada canção e uma generosidade rara de palco, o cantor e compositor paulistano celebrou meio século de carreira no Auditório Araújo Vianna na noite de sábado, 25 de abril.
A previsão era de chuva, e a noite cumpriu o anúncio – fina, insistente, tipicamente gaúcha. Mesmo assim, o Araújo Vianna estava lotado. Alguns chegaram com guarda-chuvas, outros vieram já molhados. O mau tempo ficou do lado de fora.
A noite marcou mais uma etapa da turnê "50 Anos-Luz", celebração de meio século de carreira de um dos artistas mais consagrados da Música Nacional, que revisita clássicos que marcaram gerações em um espetáculo que combina emoção, tecnologia e a força de uma obra que se tornou trilha sonora da vida de milhões de brasileiros.
O artista e seus instrumentos
Um dos maiores pianistas do país, Guilherme Arantes é um dos poucos brasileiros a integrar o Hall da Fama da tradicional fabricante americana de pianos Steinway & Sons. E foi justamente ao piano que ele dominou o palco do Araújo Vianna naquela noite de sexta-feira. Alternando com naturalidade entre o piano de cauda e o teclado ao longo do show, Arantes demonstrou por que seus 72 anos de idade e cinco décadas de estrada não diminuíram em nada a sua autoridade musical. Pelo contrário: há uma precisão e uma intimidade com os instrumentos que só o tempo constrói.
O piano de cauda ocupava o centro do palco como uma declaração de intenções. Quando Arantes se sentou diante dele, a plateia sabia que estava prestes a receber algo além de algumas músicas – receberam confissões. A música “Pedacinhos”, por exemplo, aquela que fala “Bye Bye, So Long, Farewell” foi escrita para Vanusa. Porém, em virtude à sua separação de Antônio Marcos, ela não achou de bom tom gravá-la.
De corpo e alma no palco
Guilherme Arantes não é daqueles artistas que ficam parados atrás de um instrumento esperando a música acabar. Durante toda a noite, conversou com o público com a gesticulação ampla e espontânea de quem não sabe fingir distância. Sacudia as pernas no ritmo, batia palmas convidando a plateia a entrar junto, sorria com a desenvoltura de quem está exatamente onde quer estar. Em certos momentos, parecia menos um artista conduzindo um show e mais um anfitrião recebendo amigos em casa – e a plateia respondia na mesma moeda, sem cerimônia.
Essa presença física e emocional incendiou o coração do público com uma energia que a chuva lá fora não tinha a menor chance de apagar.
As histórias antes das canções
Uma das marcas mais expressivas da noite foi a generosidade narrativa de Guilherme Arantes. Em diversas músicas do setlist – que incluiu sucessos como “Amanhã”, “Planeta Água”, “Meu Mundo e Nada Mais”, “Pedacinhos”, “Cheia de Charme”, “Lance Legal”, “Loucas Horas” e outros – o artista tomava o microfone antes dos primeiros acordes para contar a história por trás daquela canção: quando a escreveu, em que circunstância de vida, para quem, porque.
Não eram discursos longos nem ensaiados. Eram confidências. O tipo de coisa que transforma um show em algo muito mais próximo de uma conversa entre velhos conhecidos. A plateia ouvia em silêncio respeitoso e reagia com o calor de quem se reconhece naquelas histórias – porque em muitos casos, de fato se reconhecia. Muitas daquelas canções estiveram presentes em momentos que o público lá presente viveu de forma muito concreta.
Banda e agradecimentos
Arantes fez questão de apresentar cada integrante que o acompanhava naquela noite: Willy Verdaguer no contrabaixo, Gabriel Martini na bateria e Alexandre Blanc na guitarra. Cada um chamado pelo nome, com palavras de reconhecimento genuíno pelo trabalho compartilhado.
Mas o momento que mais tocou foi quando o cantor falou sobre a ausência do guitarrista Luiz Sérgio Carlini, que não pôde estar em Porto Alegre por estar se recuperando de uma pneumonia. Arantes pediu uma salva de palmas para ele – gesto simples e cheio de afeto, que arrancou aplausos calorosos da plateia. E explicou, com a leveza de quem cuida das pessoas ao redor, que ninguém havia sido escalado especificamente para substituí-lo: todos os músicos presentes haviam absorvido coletivamente a sua ausência, dividindo entre si o que Carlini normalmente faz. Uma solução que revela tanto a qualidade daqueles músicos quanto o espírito de equipe que sustenta aquele grupo.
Os agradecimentos se estenderam também a toda a equipe de produção, técnicos, roadies e organizadores que tornaram o espetáculo possível. Num cenário em que o trabalho por trás dos bastidores raramente é reconhecido publicamente, aquele gesto simples e direto fez diferença.
“Deixa Chover” e a cumplicidade com a noite
Havia uma música no repertório que, naquela sexta-feira chuvosa, adquiriu uma dimensão quase teatral. Quando os primeiros acordes de “Deixa Chover” soaram, a plateia teve exatamente a reação que uma coincidência tão perfeita merece: um sorriso coletivo, aquele tipo de alegria compartilhada que só acontece ao vivo. Do lado de fora do auditório, a chuva continuava caindo. Dentro, Arantes cantava como se tivesse combinado tudo com o tempo. No telão, uma imagem de paisagem com céu chuvoso completava o espetáculo.
A canção – que já percorreu trilhas de novela e décadas de rádio – ganhou naquela noite um contexto que nenhum estúdio poderia reproduzir. E o público cantou junto, é claro. Como sempre faz.
“Um Dia, Um Adeus” – em dois idiomas, duas emoções
Ainda no corpo do show, antes do encerramento, a noite reservou um dos seus momentos mais icônicos. “Um Dia, Um Adeus” é um dos maiores clássicos de Guilherme Arantes – canção que atravessa décadas sem perder uma gota de emoção. Mas naquele sábado no Araújo Vianna ela ganhou uma dimensão extra: Arantes a cantou primeiro em português, com toda a carga afetiva que a letra carrega em língua materna, e em seguida em inglês – versão que ficou conhecida como “Wonderful in My Life”. Para acompanhar, o telão ao fundo projetava a letra em inglês, gesto cuidadoso que permitia a todos acompanhar cada palavra.
Ouvir a mesma canção nas duas línguas, na sequência, enquanto as palavras apareciam iluminadas ao fundo, foi como ver a mesma paisagem ao amanhecer e ao entardecer: diferente, complementar, igualmente bela.
O bis, os beijos e a grade que virou encontro
Quando o show deu sinais de encerramento, a plateia não quis deixar. O coro de "mais um" tomou o Araújo Vianna com a insistência carinhosa de quem não se conforma com a despedida. E Guilherme Arantes – que claramente também não queria ir embora – voltou ao palco com a banda para o bis que a noite merecia.
Uma das escolhas foi “Fã Número 1”, e o efeito foi imediato: quem estava sentado levantou, quem estava de pé avançou em direção à grade de contenção. Os seguranças, naquele momento, fizeram o que toda boa segurança sabe fazer quando a situação pede: deixaram acontecer. A aproximação foi permitida, e o espaço entre o público e o palco encolheu até quase desaparecer.
No trecho "Ali no gargarejo, jogando beijo", a letra saiu da música e entrou na realidade: fãs de todas as idades jogavam beijos para o palco e faziam corações com as mãos, num daqueles gestos coletivos e espontâneos que nenhum diretor de show consegue ensaiar. Arantes recebeu tudo aquilo com o sorriso de quem sabe exatamente o que significa.
“Balão Azul” e a paleta que virou memória
O encerramento foi puro afeto. “Balão Azul” – canção que habita o imaginário afetivo de pelo menos duas gerações de brasileiros – fechou a noite com alegria leve e certeira.
E foi justamente nesse clima de celebração que aconteceu um dos gestos mais delicados e quase despercebido da noite: o guitarrista Alexandre Blanc avistou um menino que acompanhava a mãe bem próximo ao palco, acenou para um dos seguranças e pediu que entregasse ao garoto a sua paleta de guitarra. Um gesto pequeno. Do tipo que uma criança não esquece.
Cinquenta anos que chegaram à luz
Com mais de 140 apresentações anuais, sempre embaladas por plateias que cantam em coro seus sucessos, Guilherme Arantes prova que sua música é atemporal e segue conquistando novas gerações. Nos anos 1980, com seu dom para criar melodias cativantes e letras extremamente fortes e sensíveis, chegou a colocar 12 músicas em primeiro lugar nas paradas de sucesso do país. Com mais de 30 composições eternizadas em novelas e interpretadas por artistas como Elis Regina, Maria Bethânia, Gal Costa, Caetano Veloso, Roberto Carlos, Zezé Di Camargo & Luciano e Anavitória, Guilherme Arantes consolida seu lugar como patrimônio da música nacional.
Cinquenta anos de luz não são apenas cinquenta anos de canções lançadas. São cinquenta anos de histórias contadas antes do primeiro acorde, de beijos jogados para o palco, de crianças que recebem uma paleta de guitarra e guardam para sempre. De uma obra que escolheu as pessoas – e que as pessoas, correspondendo, escolheram de volta.
Na noite de sábado em Porto Alegre, sob a chuva que “Deixa Chover” parecia ter convidado, Guilherme Arantes provou mais uma vez que meio século de estrada não cansa. Renova.
A turnê "50 Anos-Luz" segue pelo Brasil. Próximas datas: Ribeirão Preto (09/05), Belém (15/05), Manaus (16/05), Brasília (23/05) e Santos (30/05).

REVISITING CREEDENCE FAZ NOITE HISTÓRICA NO ARAÚJO VIANNA E REVIVE A ALMA DO BAYOU EM PORTO ALEGRE

Texto e fotos: Luciana Espíndola
O quarteto liderado por Dan McGuinness e Kurt Griffey entregou cerca de 90 minutos de clássicos do Creedence Clearwater Revival; show integrou a South America Tour 2026, na noite de quinta-feira, 23 de abril, a partir das 21h15min.
O Auditório Araújo Vianna, na Avenida Osvaldo Aranha, se transformou em uma máquina do tempo com destino à Califórnia dos anos 1960. A banda Creedence Clearwater Revival (CCR), que outrora se chamava The Blue Velvets e The Golliwogs, entregou um grande espetáculo tocando seus maiores sucessos.
O responsável pela viagem foi o Revisiting Creedence, grupo que carrega no nome e no DNA a missão de manter vivo o legado do Creedence Clearwater Revival. Após décadas rodando o mundo ao lado de Stu Cook e Doug "Cosmo" Clifford – os dois membros sobreviventes da formação original do CCR – o vocalista e guitarrista Dan McGuinness e o guitarrista Kurt Griffey voltaram a Porto Alegre com uma formação afiada e um repertório capaz de fazer qualquer amante do rock clássico perder o fôlego.
A banda iniciou no final dos anos 1950, quando quatro jovens chamados John Fogerty, Tom Fogerty, Stu Cook e Doug Clifford inventaram um som que misturava Rock, Blues e Country e conquistaram o mundo inteiro. Mas foi em 1967 que escolheram definitivamente o nome do grupo.
O público que foi ao encontro da própria história
A plateia que foi chegando ao longo da noite era formada, em grande parte, por pessoas que carregam o CCR na memória afetiva de forma muito concreta – casais lado a lado, mãos dadas, muitos deles tiveram essas músicas como trilhas de suas vidas. Havia ali uma cumplicidade silenciosa entre o público e o repertório que estava por vir: a de quem não vai simplesmente assistir a um show, mas reencontrar algo que lhe pertence. Não são apenas singles, são hinos de uma geração nostálgica.
Esse tipo de plateia não grita por impulso. Ela reconhece. E quando reconhece, vai fundo.
Uma linhagem de respeito
Para entender o peso do que aconteceu no Araújo Vianna, é preciso conhecer a história por trás do projeto. McGuinness e Griffey passaram mais de uma década tocando ao lado dos próprios fundadores do CCR no projeto Creedence Clearwater Revisited — criado em 1995 por Cook e Clifford para levar o repertório da banda aos palcos do mundo depois da separação oficial, em 1972. Não se trata, portanto, de músicos que simplesmente estudaram um som. São profissionais que o viveram de dentro.
O Revisiting Creedence surgiu para dar sequência a essa linhagem depois que o Revisited encerrou suas atividades em 2021. Completando a formação atual estão o baixista Mat Scarpelli e o baterista Ron Wikso – este último escolhido pessoalmente por Doug Clifford para ocupar a cadeira que ele mesmo deixou. A palavra "substituto" soa quase injusta para descrever Wikso: sua precisão rítmica na noite de quinta foi cirúrgica, honrando o posto com a seriedade que ele exige.
O show
Quando McGuinness abriu a boca para o primeiro verso de "Born On The Bayou", o pacto entre palco e plateia estava firmado. A voz rouca, quente e inconfundível que o gaúcho esperava ouvir estava lá – não como imitação, mas como interpretação comprometida e respeitosa de um cancioneiro que pertence à humanidade.
Desde os primeiros minutos, ficou claro que McGuinness e seus companheiros não vieram apenas tocar — vieram conversar. Entre uma música e outra, o vocalista tomava o microfone e se dirigia ao público no seu próprio idioma, o inglês, com a descontração de quem não precisa de tradução para se fazer entender – porque a música já havia feito esse trabalho. Em determinado momento da noite, McGuinness empunhou uma bandeira do Brasil sobre o palco, gesto que arrancou uma das maiores reações da noite e deixou claro que o carinho pela plateia brasileira não era protocolo: era genuíno. Perguntava se a galera estava bem, agradecia com emoção visível por estar em Porto Alegre, apresentava os músicos com evidente orgulho. Griffey, por sua vez, sorria para a plateia com a naturalidade de quem toca no quintal de casa. Essa proximidade desarmou qualquer distância que um palco poderia criar – e transformou o Araújo Vianna em algo mais íntimo do que seu tamanho sugere.
O repertório da noite foi um passeio generoso pela discografia do CCR. Clássicos como “Susie Q”, “Commotion”, “Born on the Bayou”, “Fortunate Son”, “Proud Mary” e “Have You Ever Seen The Rain” dividiram espaço com outras preciosidades do catálogo, num setlist que equilibrou os hits mais conhecidos com escolhas que agradaram os fãs de primeira hora. Griffey transitou entre a garra elétrica e a delicadeza acústica com a autoridade de quem passou anos ao lado dos fundadores, e a entrega vocal de McGuinness manteve a temperatura alta do início ao fim.
A batalha silenciosa dos corredores
Se no palco a ordem era Rock N'Roll, nos corredores do Araújo Vianna travava-se uma batalha paralela, discreta e, convenhamos, bastante divertida de observar. Os seguranças tinham uma missão clara: manter os corredores livres e o público nos seus devidos lugares. A plateia, por sua vez, tinha uma missão igualmente clara – e completamente oposta.
Fãs que tentavam se aproximar do palco para filmar e fotografar eram gentilmente contidos e redirecionados com uma regularidade que dizia muito sobre o magnetismo da banda. Alguns adotavam a estratégia da dissimulação: erguiam-se com ar resoluto, como quem tem um destino urgente, mas o smartphone aceso na mão entregava o plano antes mesmo do primeiro passo. A rota ao banheiro, naquela noite, nunca foi tão movimentada – nem tão suspeita.
Um fã em particular merecia menção especial. Retirado do corredor mais de uma vez pelo mesmo segurança, ele retornava alguns minutos depois com a perseverança silenciosa de quem considera que a bronca recebida é um preço justo por mais alguns segundos de registro. Difícil condená-lo. Lá na frente, afinal, estava algo que valia a pena guardar.
A chuva que não veio — e a que chegou pela música
Porto Alegre acordou na quinta-feira com previsão de chuva para a noite. Os fãs que se preparavam para o show trocaram mensagens, consultaram aplicativos de meteorologia, pesaram o guarda-chuva na mão. A chuva, contudo, decidiu não aparecer – e o céu cooperou até o fim.
Mas ela chegou de outro jeito.
Quando, já perto do encerramento da noite, McGuinness anunciou “Have You Ever Seen the Rain?” com aquela introdução de guitarra que qualquer brasileiro reconhece nos primeiros dois segundos, algo se moveu na plateia. As pessoas que estavam sentadas se levantaram. As que já estavam de pé se aproximaram. E então aconteceu uma daquelas cenas que justificam a existência dos shows ao vivo: centenas de vozes cantando juntas, sem combinação prévia, sem ensaio – apenas a memória coletiva funcionando como um coral enorme e imperfeito, e exatamente por isso, lindo.
Havia pessoas que trocaram olhares naquele momento como quem compartilha um segredo antigo. Alguns permaneceram de olhos fechados, completamente dentro da música. A chuva que a previsão prometeu para aquela noite, o Creedence entregou – não do céu, mas do palco. Certeza de que alguns olhos marejaram e corações gritaram silenciosamente.
Uma turnê histórica
A data em Porto Alegre integrou a reta final da South America Tour 2026, que percorreu o Brasil ao longo de março e abril. Nos dias anteriores ao show gaúcho, a banda havia passado por Florianópolis, no dia 20, e por Criciúma, no dia 21. No total, foram cerca de vinte cidades brasileiras contempladas nesta temporada – um número que confirma o Brasil como um dos territórios mais receptivos do mundo para esse repertório. A turnê ainda segue por cidades brasileiras. A apresentação do dia 25 de abril, em São Paulo, para o "Somos Rock Festival", foi cancelada e deve acontecer apenas no segundo semestre – o site oficial da banda ainda não está atualizado.
O legado que não para
O CCR acumulou nove discos de ouro e sete de platina ao longo de uma carreira que durou pouco mais de quatro anos em sua forma original – de 1968 a 1972. A separação foi marcada por disputas internas e uma das sagas jurídicas mais longas da história do Rock, com conflitos sobre direitos autorais que se estenderam por décadas. Em 2023, John Fogerty reconquistou a participação majoritária sobre os direitos do seu próprio catálogo – uma vitória que chegou depois de muito tempo, mas que lhe permitiu celebrar sua obra com plena liberdade artística.
Enquanto o criador original celebra essa liberdade, o Revisiting Creedence cumpre outro papel igualmente essencial: manter esses hinos vivos nos palcos, com energia, fidelidade sonora e a credencial de quem viveu essa história por dentro. Não à toa, o CCR figura entre as dez bandas de Rock com mais execuções no YouTube, superando nomes como Pink Floyd – prova de que o Creedence não é nostalgia. É presente.
Na saída do Araújo Vianna, uma frase ouvida entre o público dizia tudo: "Parece que nunca acabou." Para quem esteve lá, de fato, não acabou.

UMA NOITE ROMÂNTICA COM O AIR SUPPLY NO ARAÚJO VIANNA EM 5 DE MAIO

Foto: Divulgação
Comemorando seus 50 anos de estrada, o duo australiano Air Supply, formado em 1975 por Graham Russell e Russell Hitchcock, vai desfilar os seus hits românticos no Auditório Araújo Vianna, na Avenida Osvaldo Aranha, 685, Parque Farroupilha, Bom Fim, na terça-feira, dia 5 de maio. O show começa às 21h.
O grupo marcou principalmente no Brasil nos anos 1980, com hits como All Out of Love”, “Lost in Love”, “Making Love Out of Nothing at All”, “The One That You Love” e “Lonely is the Night”, entre outras. Essas músicas continuam atravessando gerações e permanecem presentes nas rádios e playlists até hoje.
Os músicos Graham Russell e Russell Hitchcock seguem emocionando plateias ao redor do mundo — e o Brasil ocupa um lugar especial nessa história. Em entrevistas recentes, a dupla destacou o carinho pelo público brasileiro e a conexão única construída ao longo das décadas.
Mesmo após cinco décadas, o Air Supply mantém sua força nos palcos com apresentações que combinam potência vocal, sensibilidade e uma atmosfera intimista. O show em Porto Alegre promete ser mais do que um concerto — será um reencontro com memórias, sentimentos e canções que marcaram a vida de milhares de fãs.
A passagem pela capital gaúcha integra a turnê comemorativa global da dupla, que celebra meio século de carreira mantendo a essência que os tornou referência no Soft Rock Mundial.
Uma realização WOW
A WOW Entretenimento é uma produtora brasileira de entretenimento ao vivo com atuação estratégica na realização e desenvolvimento de projetos nacionais e internacionais de destaque.
Ao longo de sua trajetória, contribuiu para consolidar o Brasil na rota dos principais espetáculos do mundo, ao mesmo tempo em que participa do movimento de internacionalização da música brasileira, levando turnês e artistas nacionais para o cenário global. Com foco em excelência operacional, originalidade e impacto cultural, a empresa conecta artistas, marcas e público através da música e do entretenimento, fortalecendo a presença do Brasil no circuito internacional.
Serviço
Air Supply — Tour 50 Anos em Porto Alegre
Local: Auditório Araújo Vianna
Endereço: Avenida Osvaldo Aranha, 685, Parque Farroupilha, Bom Fim
Data: 05 de maio, terça-feira
Horário: 21h
Abertura dos portões: 19h30
Escute “Here I Am” no Spotify: https://open.spotify.com/playlist/37i9dQZF1DZ06evO2FbdbG

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Sepultura lança EP ‘The Cloud of Unknowing’, seu último trabalho de estúdio

Foto: Stephanie Veronezzi
O Sepultura lançou nesta sexta-feira, 24 de abril, pela ONErpm, o EP “The Cloud of Unknowing”. O disco é o último trabalho de estúdio da banda mineira de metal após quatro décadas de carreira.
O trabalho foi registrado ao longo de dez dias no Criteria Studios, em Miami, sob a produção de Stanley Soares. O projeto marca o primeiro lançamento oficial da banda com o baterista Greyson Nekrutman e traz quatro canções inéditas: “All Souls Rising”, “Sacred Books”, “The Place” e “Beyond the Dream”, faixa que conta com a participação especial de Tony Bellotto e Sérgio Britto, dos Titãs.
Andrea Kisser revelou que a inspiração para o título do disco veio de um movimento cristão do Século XIV. Ele afirmou ter adquirido os conceitos ao assistir a palestras do já falecido filósofo britânico Alan Watts durante a pandemia. O pensador questionava o uso excessivo de artefatos físicos e dogmas visuais para alcançar a espiritualidade. O músico relacionou a ideia com o distanciamento atual causado pela tecnologia.
“O Cloud of Unknowing me parece muito pertinente para os dias de hoje em relação à inteligência artificial. Hoje a gente vê muita gente criando um mundo paralelo; essas pessoas acham que aquilo é realidade e experiência, mas elas realmente não estão vivendo. Você precisa tirar essa nuvem do caminho e ter o acesso direto. Está todo mundo preso em telas e perdendo contato com a natureza e com as pessoas ao lado. A gente precisa se questionar se precisamos de toda essa parafernália para ter acesso à nossa espiritualidade”, explicou o guitarrista.
Já o baixista Paulo Xisto disse que “desde o começo a gente afirmou que foi um disco que não estava programado. Acho que todo o conceito dele vem nessa liberdade. Tem muita pegada do jazz pelo que o Greyson adicionou no Sepultura. Tem uma pegada meio King Crimson também. É meio prog. Então a gente tem essa visão meio eclética nesse disco. Eu tentei puxar o máximo possível das influências que eu tinha dos anos 70. Coisas do Yes, do Chris Squire. Isso foi linkado com a bateria, as guitarras pesadas. E claro, a voz do Derrick [Green]. Acho que o resultado final foi bastante satisfatório para todos nós”, explicou Paulo. Andrea ainda disse que a ideia da banda é incluir as quatro faixas do EP no setlist da turnê de despedida “Celebrating Life Through Death”. “Sem dúvida, para que elas façam parte do disco ao vivo [da turnê] também”, concluiu.
Fonte: Wikimetal
Escute “The Cloud of Unknowing” no Spotify: https://open.spotify.com/intl-pt/album/7gyjCQevMUqidIjSUkJKWK

CACHORRO GRANDE ANUNCIA RETORNO OFICIAL E PROJETA NOVO DISCO

Foto: Facebook
A banda porto-alegrense Cachorro Grande oficializou, após alguns anos de hiato e alguns shows esporádicos, que retornou à ativa, prometendo para breve um disco de músicas inéditas. A ideia é de que o retorno vá além da nostalgia, e marque o início de uma nova fase criativa.
O que começou como reencontros esporádicos ganhou proporção maior. Após o hiato iniciado em 2019, os integrantes voltaram a tocar juntos em apresentações especiais nos últimos anos e com as experiências que reacenderam a conexão musical e a resposta do público, o grupo transformou a turnê comemorativa de 26 anos em uma retomada permanente da carreira.
A forte química musical e a recepção positiva do público surpreenderam a banda. Em entrevista ao Blog N Roll, o vocalista Beto Bruno explicou que o entrosamento demonstrado ao vivo e a saudade dos palcos despertaram a ideia pelo retorno oficial.
A proposta, de acordo com os próprios integrantes, é clara: retomar a produção autoral e evitar que a banda se limite ao formato "turnê de reunião". A ideia é voltar a funcionar como uma banda criativa e contínua, não apenas celebrativa.
Conforme Beto Bruno "O plano é lançar esse disco antes do fim do ano e aí sim, voltar definitivamente com uma turnê, com disco. Que eu acho que é muito mais valioso. Então a maneira da gente respeitar o nosso público e a melhor maneira da gente seguir tocando seria com um disco novo. E é isso que vai acontecer. Mas o ponto mais relevante desse retorno está no futuro e não no passado. A Cachorro Grande já confirmou que entra em estúdio em junho para gravar um novo álbum, o primeiro trabalho inédito desde o fim das atividades".
A formação clássica se reúne com Beto Bruno (vocais), Marcelo Gross (guitarra), Gabriel Azambuja (bateria) e Pedro Pelotas (teclados).
Fonte: Sérgio Dall'Alba/ Whiplash.Net
Escute “Pista Livre” no Spotify: https://open.spotify.com/intl-pt/album/0EOHFaq2aiyDQL9KeVAlWL
Veja “Lunático” no Spotify: https://www.youtube.com/watch?v=-rc8SqdVbX4&list=RD-rc8SqdVbX4&start_radio=1

"Uma Noite Com o Dream Theater" (An Evening With Dream Theater) no Auditório Araújo Vianna, no dia 3 de maio

Foto: Mark Maryanovich
Após sua bem-sucedida turnê de 40º Aniversário na América Latina, o Dream Theater, retorna a Porto Alegre no próximo domingo, dia 3 de maio. O show pertence a turnê "Uma Noite Com o Dream Theater" (An Evening With Dream Theater), um espetáculo de aproximadamente 3 horas que celebrará o recente 16º álbum de estúdio da banda, “Parasomnia”. A apresentação acontece no Auditório Araújo Vianna, na Avenida Osvaldo Aranha, 685, Parque Farroupilha, Bom Fim, a partir das 20h.
A banda americana tocará ainda em mais cinco capitais do Brasil: dia 5, terça-feira, em Curitiba, no Live Curitiba; no dia 7, quinta-feira, em Brasília, no Dois Ipês; dia 9, sábado, em São Paulo, no Vibra São Paulo; dia 10, domingo, no Rio de Janeiro, no Vivo Rio; e no dia 12, terça-feira, em Belo Horizonte, no BeFly Hall.
Lançado em fevereiro de 2025, “Parasomnia” estreou no topo das paradas Billboard Top Hard Rock Albums, Hard Music Albums e Current Rock Albums, somando mais de 18 mil unidades vendidas na primeira semana. O disco será tocado na íntegra e ainda haverá a comemoração do 30º aniversário do aclamado “A Change of Seasons” (1995), além de outros sucessos da banda.
Com 71 minutos, “Parasomnia” reafirma a força criativa do Dream Theater e aprofunda sua abordagem conceitual sobre distúrbios do sono, contando com produção de John Petrucci, engenharia de James “Jimmy T” Meslin, mixagem de Andy Sneap e arte de Hugh Syme.
A banda atualmente conta com James LaBrie (vocais), John Petrucci (guitarra), John Myung (baixo) e Jordan Rudess (teclados) e Mike Portnoy, que reassumiu à bateria após alguns anos fora do grupo. Assim, o Dream Theater retoma à formação que moldou alguns dos capítulos mais importantes das quatro décadas de estrada.
Serviço
An Evening With Dream Theater
Local: Auditório Araújo Vianna
Endereço: Avenida Osvaldo Aranha, 685, Parque Farroupilha, Bom Fim
Quando: domingo, 03 de maio
Horário: 20h
Abertura da casa: 18h
Site de vendas: fastix.com.br/events/dream-theater-porto-alegre-2026
Vendas de ingressos físicos (sem taxas para pagamento por pix): Loja Short Fuse (Rua dos Andradas, 1560 Galeria Malcon, Loja 6B - Centro Histórico, Porto Alegre), segunda-feira a sexta-feira das 9h às 18h30. Sábado das 9h às 17h30.
Escute “Parasomnia” no Spotify: https://open.spotify.com/intl-pt/album/0ER7sdwIe6mfM63TbWcHmd

quarta-feira, 22 de abril de 2026

A TURNÊ “50 ANOS LUZ”, DE GUILHERME ARANTES, CHEGA NESTE SÁBADO, NO AUDITÓRIO ARAÚJO VIANNA

Foto: Site Oficial Guilherme Arantes
O músico paulista Guilherme Arantes, verdadeira máquina de hits nos anos 1980, chega neste sábado ao Auditório Araújo Vianna, na Avenida Osvaldo Aranha, 685, Parque Farroupilha, Bom Fim, com show de sua turnê 50 Anos-Luz”, que comemora as suas cinco décadas de carreira.
O show contempla os principais sucessos e as canções que marcam as diferentes fases da sua trajetória.
Arantes vai tocar desde a hoje clássica música “Planeta Água”, que perdeu injustamente o prêmio de melhor canção no Festival MPB Shell de 1981, para a música "Purpurina", interpretada por Lucinha Lins, até “Cheia de Charme”, passando por “Pedacinhos”, “Deixa Chover” e “Meu Mundo e Nada Mais”.
Mas o astro não vai deixar de fora do repertório as músicas que foram incluídas na trilha sonora de novelas globais.
Serviço:
Guilherme Arantes – 50 Anos Luz
Local: Auditório Araújo Vianna
Endereço: Avenida Osvaldo Aranha, 685, Parque Farroupilha, Bom Fim
Quando: 25 de abril de 2026, sábado
Horário: 21h
Abertura da casa: 19h30
Escute “Planeta Água” no Spotify: https://open.spotify.com/intl-pt/track/2DPgG4E1DJtqgMu7cJiUWx

TNT CELEBRA SEU ÁLBUM DE ESTREIA NESTA SEXTA-FEIRA NO AUDITÓRIO ARAÚJO VIANNA

Foto: Divulgação
Após duas apresentações com lotação máxima no Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre, em 2024 e no ano passado, o TNT retorna ao mesmo local nesta sexta-feira, dia 24 de abril. A apresentação da banda vai celebrar o álbum de estreia, “TNT I”, lançado em 1986. O show na Avenida Osvaldo Aranha, 685, Parque Farroupilha, no Bom Fim, começa às 21h.
O disco é um marco fundamental na história da banda e do Rock Gaúcho, e o show se conecta diretamente ao início da trajetória do grupo.
Diferente das apresentações anteriores, o show traz um repertório exclusivo, pensado especialmente para esta data. Canções que nasceram junto com a icônica capa das flores, como “Cachorro Louco”, “Ana Banana”, “Identidade Zero” e “Oh! Deby”, voltam ao centro do palco ao lado de outros hits que marcaram um período de intensa efervescência do Rock Nacional e seguem atravessando gerações.
O TNT não vai apenas revisitar o álbum, mas tem a intenção de reafirmar a força de músicas simples, diretas e populares, que ajudaram a formar público, identidade e cena. “Um repertório que não envelheceu porque nunca pertenceu a um único tempo”, garantem os integrantes da banda.
O show contará ainda com uma participação especial.
Serviço: TNT
Local: Auditório Araújo Vianna
Endereço: Avenida Osvaldo Aranha, 685, Parque Farroupilha, Bom Fim
Quando: 24 de abril de 2026, sexta-feira
Horário: 21h
Abertura da casa: 19h30
Escute TNT no Spotify: https://open.spotify.com/playlist/7N06OVRF9aJusbHOJnTd5p

quarta-feira, 15 de abril de 2026

O “Appetite for Destruction” ainda está vivo – e foi até o Jockey Club

Texto e Fotos: Luciana Espíndola
Foto: Facebook
Confesso que cheguei ao Jockey Club do Rio Grande do Sul naquele 1º de abril com um frio na barriga que não tinha nada de brincadeira de Dia dos Bobos. Era uma quarta-feira, e ninguém ali parecia se importar que a quinta-feira seria dia útil. Porque quando o Guns N' Roses chega à cidade, o calendário pede licença. A atração de abertura foi a banda americana Halestorm, com os irmãos Lzzy Hale e Arejay Hale, que tocam Hard Rock desde 1997.
A turnê "Because What You Want and What You Get Are Two Completely Different Things" – título que parece filosofia zen, mas é puro Guns – trouxe a banda a Porto Alegre pela quinta vez. Sendo que desta vez, vieram Axl Rose (vocal e piano), Slash (guitarra solo), Duff McKagan (baixo), Richard Fortus (guitarra base), Dizzy Reed (teclados e piano) e Isaac Carpenter (bateria). E o Jockey Club, no Hipódromo do Cristal, na Zona Sul de Porto Alegre, que há anos não recebia um espetáculo desse porte, foi preparado para a ocasião com toda a grandiosidade que o evento merecia. O espaço que outrora viu o galope de cavalos puros-sangue viu, naquela noite, algo ainda mais veloz: a energia elétrica de uma banda que se recusa, categoricamente, a envelhecer na medida certa.
Digo "na medida certa" porque envelhecer eles envelheceram – e muito bem, obrigada. Mas voltemos a isso.
1990. Um ônibus. Um rádio. E uma guerra
Antes de falar do show, preciso fazer um desvio sentimental. Em 1990, era comum ver jovens pelas ruas com grandes rádios com compartimento para fita cassete equilibrados no ombro – aqueles aparelhos de plástico preto que pesavam como uma maleta e tinham antena de satélite. Num ônibus qualquer de Porto Alegre, vi um rapaz ser agredido porque se recusou a baixar o volume do seu rádio. A música que tocava, à toda, enquanto ele levava o maior sermão da vida, era “Sweet Child O' Mine”. Ele não abaixou o som. Eu achei aquilo o máximo.
Hoje, trinta e seis anos depois, aquela mesma música soou no Jockey e eu tive vontade de ligar para ele – seja lá quem for – e dizer: "Cara. Você estava certo."
O rei de calção virou um monarca de terno (quase)
Quem acompanha Axl Rose desde os tempos de “Appetite for Destruction” sabe que o homem inventou um estilo próprio de presença de palco. Nos anos de ouro, ele aparecia de shorts – aquelas bermudas compridas que lembravam ceroulas, mas que nele viravam manifesto de liberdade – com a bandana na cabeça, a tatuagem de braço de fora e aquele andar de serpente, sinuoso e imprevisível, de uma ponta à outra do palco. Axl não ficava parado. Axl habitava o palco. Enquanto, geralmente, roqueiros vestiam roupas pretas, ele vestia ceroulas ou saias – virou uma marca, expressão e manifesto.
O Axl de 2026 ainda habita o palco. Mas agora com um pouco mais de peso – no sentido mais nobre da palavra. O corpo mudou, a roupa ficou mais sóbria, a postura ganhou uma gravidade que, paradoxalmente, só aumentou sua presença. Ele está mais contido nos movimentos, mas quando abre a boca, alguma coisa dentro do peito da plateia treme. A voz chegou, não com a mesma agilidade acrobática dos anos 1980 e 1990, mas com uma densidade que só o tempo dá.
Sim, há quem diga que sua voz hoje lembra um pouco o Mickey Mouse nos agudos mais arriscados. Não vou mentir: há momentos em que a comparação faz algum sentido. Eu mesma brinquei com amigos, dizendo que durante o show fechava os olhos e me sentia na Disney, mas foi apenas brincadeira – foi emocionante e uma honra estar ali. E permitam-me ser mais direta – as cordas vocais também envelhecem. As deles, as minhas, as suas. Axl Rose passou décadas gritando do fundo da alma em estádios lotados ao redor do mundo. Se a voz saiu um pouco rouca dessa batalha, é porque a batalha valeu cada nota. Cobrar de um homem de 64 anos a voz que ele tinha aos 26 é quase tão injusto quanto pedir para a gente, jornalistas de meia-idade (cóf, cóf, hãm, hãm), escrever com a mesma ingenuidade emocionada dos tempos de faculdade.
A diferença é que ele ainda tenta. E isso, meus caros, é poético.
Slash, Duff e o suor coletivo de uma geração
Se Axl é a voz e o teatro, Slash é a alma. Cartola, cabelos em espiral, olhos quase sempre escondidos com óculos escuros, as tatuagens e aquela Les Paul que parece uma extensão orgânica do seu corpo – Slash tocou como se o mundo dependesse de cada acorde. O telão gigante era, naquele momento, um serviço público: aproximava rostos, dedos, expressões. Era possível ver cada gota de suor brotando, cada veia do pescoço saltando, cada olho semicerrado na concentração de quem não está tocando – está sendo música.
Duff McKagan, no baixo, com aquela postura de rocker que nunca precisou de manual, completava o triângulo perfeito de uma banda que, contra todas as probabilidades da indústria, do ego e do tempo, ainda existe — e ainda importa.
"Lá vem outra pedrada"
O intervalo entre uma música e outra era curto. Quase cruel, no bom sentido. Antes que a euforia de uma canção arrefecesse, já chegava a próxima. E a cada vez que os primeiros acordes soavam, a mesma frase corria de boca em boca pela multidão: "Lá vem outra pedrada." Era uma constatação, um aviso, uma celebração. A plateia não tinha tempo de respirar – e não queria.
O público era uma colcha de gerações. Veteranos de cabelos grisalhos que foram ao show de 2010 com 30 anos e voltaram ao de 2026 com 46. Adultos que descobriram a banda pelo Spotify e chegaram sem saber muito bem o que esperar – e saíram convertidos. Alguns já estavam ali há mais de 24 horas para prestigiar seus artistas favoritos. E crianças. Crianças de uns dez anos, com os pais ao lado, aprendendo naquela noite o que é uma pedrada musical de verdade. Uma menina perto de mim cantava “Paradise City” com uma convicção que me deixou sem palavras. Ela não viveu os anos 1980 e 1990. Não importa.
O Rock tem essa generosidade estranha de não precisar de passado para fazer sentido no presente.
O que fica
Quando o show terminou e a multidão começou a se dispersar pela Avenida Diário de Notícias – alguns em silêncio, cheiro de churrasquinho no ar, vendas de artigos da banda para todos os lados, outros ainda cantarolando, muitos com aquele olhar de quem acabou de sair de uma missa leiga – fiquei pensando naquele rapaz do ônibus de 1990.
Pensei que o Guns N' Roses sempre foi isso: música que as pessoas defendem. Que ninguém abaixa o volume. Que atravessa décadas sem pedir desculpas por existir.
Axl pode não ter mais o calção de ceroula. Slash pode estar um pouco mais lento nos dedilhados mais acelerados. A voz pode ter lá seus momentos Mickey. Mas naquela noite no Jockey, quando o telão mostrou o rosto suado e concentrado de cada músico entregando tudo o que ainda tem – que é muito, muito mesmo – entendi que envelhecer bem não é não mudar.
É continuar aparecendo. Com o chapéu. Com a guitarra. Com a voz que deu.
E fazer todo mundo dizer, mais uma vez: lá vem outra pedrada.

Lynyrd Skynyrd em Porto Alegre: uma noite espiritual que entrou para a história do Araújo Vianna

Texto: Cássio Toledo – Canal Na Ponta da Agulha Canal
Fotos: Carlos Vargas
O que parecia inimaginável finalmente aconteceu. Quando menos se esperava, no fim de 2025, foi anunciado que a lendária Lynyrd Skynyrd pisaria em solo brasileiro em 2026. E Porto Alegre entrou nessa rota histórica, com produção da Mercury Concerts, no emblemático Auditório Araújo Vianna — palco de memórias que atravessam gerações.
Aqui escreve um cidadão latino-americano, um confesso “belchioriano”, em referência ao eterno Belchior, que aprendeu a venerar o Southern Rock desses americanos que ensinaram o mundo a equilibrar peso, groove e emoção.
Com casa lotada, mesmo com preços elevados e muitos grandes shows em datas próximas umas das outras (no dia anterior, teve Extreme na mesma casa) o show no dia 7 de abril, terça-feira, começou pontualmente às 21h — raridade que já indicava uma noite especial.
Setlist com história: cada música, um capítulo
A abertura com “Workin’ for MCA” já mostrou o tom da noite. A faixa é do álbum “Second Helping” (1974), segundo disco da banda — e carrega uma ironia direta ao contrato com a própria gravadora MCA Records. Um início afiado, cheio de atitude.
Logo depois, ainda no embalo inicial, “What’s Your Name” (do álbum Street Survivors, 1977) colocou o público para dançar. Curiosamente, esse disco foi lançado apenas três dias antes do trágico acidente aéreo que mudaria para sempre a história da banda.
Na sequência, “That Smell”, também de “Street Survivors”, intensificou a energia. A música, que fala sobre excessos e autodestruição, ganhou ainda mais peso simbólico após a tragédia de 1977 — e mesmo em um tom levemente abaixo, não perdeu força ao vivo.
O clima mudou com “I Need You”, outra de “Second Helping” (1974), trazendo um momento mais blues e introspectivo. Vale lembrar que esse disco também abriga o clássico absoluto “Sweet Home Alabama”, consolidando a banda no cenário mundial.
A intensidade voltou com “Gimme Back My Bullets”, faixa-título do álbum de 1976. Um disco que marcou uma fase de transição e resistência da banda — e que, em 2026, completa 50 anos, sendo celebrado em grande estilo na turnê.
Groove, crítica social e Southern Rock raiz
Um dos momentos mais surpreendentes foi “Saturday Night Special”, faixa de abertura de “Nuthin’ Fancy” (1975). Apesar da levada dançante e cheia de groove, a música traz uma crítica direta à violência armada — contraste que funcionou perfeitamente ao vivo. Faltou só uma pista de dança para transformar o Araújo Vianna em uma cena digna de Saturday Night Fever com John Travolta.
Já “Still Unbroken”, do álbum “God & Guns” (2009), representou a fase mais recente da banda. Escrita em homenagem ao baixista Leon Wilkeson, a faixa trouxe um peso mais direto, mostrando que o Skynyrd também sabe soar atual sem perder a essência.
Voltando aos anos 70, “The Needle and the Spoon” (Second Helping, 1974) trouxe o Southern Rock mais cru — aquele que a maioria do público queria ouvir. E a resposta veio em gritos viscerais.
Emoção, legado e homenagens
Um dos pontos mais emocionantes da noite foi “Tuesday’s Gone”, do álbum de estreia (Pronounced 'Lĕh-'nérd 'Skin-'nérd) (1973). No telão, imagens de Gary Rossington — último membro da formação original, falecido em 2023 — deram o tom de despedida e reverência.
Logo depois, “Simple Man”, também do disco de estreia, elevou o nível emocional. A canção, com sua mensagem atemporal de uma mãe aconselhando o filho, é um dos pilares da identidade da banda — e ao vivo, ganhou contornos ainda mais profundos, arrancando lágrimas dos lynyrdys maníacos, inclusive a vossa pessoa aqui. A energia voltou com “Gimme Three Steps” (1973), uma das músicas mais dançantes da fase inicial, seguida por “Call Me the Breeze”, clássico de J.J. Cale regravado no “Second Helping”. Destaque para o piano incendiário de Peter Keys.
O momento Brasil: Sweet Home… Rio Grande do Sul
Quando “Sweet Home Alabama” finalmente surgiu, foi explosão coletiva. A música, um dos maiores hinos do Rock, ganhou ainda mais força ao ver Johnny Van Zant empunhando a bandeira do Rio Grande do Sul — gesto que selou a conexão com o público brasileiro.
Curioso notar como a faixa atravessa gerações, chegando até os mais jovens, muitos deles impactados por jogos como Grand Theft Auto.
“Freebird”: o ápice absoluto
Após a saída do palco, os gritos por “Freebird” ecoaram pelo Araújo.
E então, o momento final.
A águia surgiu. O telão trouxe imagens de Ronnie Van Zant, em um dueto emocionante com seu irmão Johnny. A sensação era de que Ronnie estava ali, presente.
E quando o solo começou, com Rickey Medlocke assumindo o protagonismo, o tempo parou. Foram quase 10 minutos de pura catarse — um dos momentos mais intensos já vistos naquele palco.
Uma noite além da música
A própria banda definiu o show como “espiritual”.
E é difícil discordar.
Foi mais do que um show: foi uma aula de história do rock, uma celebração de legado e uma prova viva de que, mesmo após décadas e perdas irreparáveis, o Lynyrd Skynyrd segue carregando sua essência com dignidade. Quem esteve lá não assistiu apenas a um espetáculo.
Participou de um capítulo da história.

A turnê “An Evening With Dream Theater” chega ao Araújo Vianna no dia 3 de maio

Foto: Divulgação
O Dream Theater vai subir ao palco do Auditório Araújo Vianna, no dia 3 de maio de 2026, na nova etapa da turnê “An Evening With Dream Theater” e executar o recente trabalho, o disco “Parasomnia” (2025) na íntegra e ainda comemorar o 30º aniversário do aclamado “A Change of Seasons” (1995).
Com um show de aproximadamente três horas e um repertório que também inclui as músicas favoritas do público, o Dream Theater vai celebrar uma trajetória que já soma quatro décadas e que ganhou um novo contorno desde o retorno do baterista Mike Portnoy. “Images and Words” (1992) e “Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory” (1999) figuram na lista dos álbuns mais representativos do Metal Progressivo, elaborada por revistas como Rolling Stone, Classic Rock e Guitar World.
Com a produção da Liberation MC, a “An Evening With Dream Theater” tem outras cinco datas no Brasil. O grupo ainda se apresentará em Curitiba, Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
Serviço:
An Evening With Dream Theater”
Local: Auditório Araújo Vianna
Endereço: Avenida Osvaldo Aranha, 685, Parque Farroupilha, no Bom Fim
Quando: 3 de maio, domingo
Horário: 20h
Abertura da casa: 18h
Escute “A Change of Seasons” no Spotify: https://open.spotify.com/intl-pt/album/1ALR5shWvJ99oItXgRTbKj

A South América Tour do Revisiting Creedence chega no Araújo Vianna no dia 23 de abril

Foto: Divulgação
Na quinta-feira, dia 23 de abril, o Revisiting Creedence se apresenta no Auditório Araújo Vianna, na Avenida Osvaldo Aranha, 685, Parque Farroupilha, Bom Fim, a partir das 21h. O grupo tem na liderança Dan McGuinness e Kurt Griffey, que passaram vários anos excursionando ao lado do baixista Stu Cook e do baterista Doug “Cosmo” Clifford, membros do Creedence Clearwater Revival e do Creedence Clearwater Revisited.
O Revisiting Creedence tem por objetivo manter o legado de uma das principais referências do Rock norte-americano dos anos 1960 e 1970. No repertório, clássicos do Creedence Clearwater Revival como “Travelin’ Band”, “Susie Q”, “Commotion”, “Born on the Bayou”, “Fortunate Son” e “Have You Ever Seen the Rain?”.
O Creedence Clearwater Revival banda esteve na ativa entre 1959 e 1972, retornou com dois dos membros originais em 1995 na versão Creedence Clearwater Revisited. E agora, uma nova modificação após o cancelamento dos shows com a pandemia da Covid-19 em 2020, resurgindo com o novo nome Revisiting Creedence. O Revisiting reúne o vocalista Dan McGuinness, o guitarrista Kurt Griffey, o baterista Ron Wikso e o baixista Mick Mahan.
Serviço:
Revisiting Creedence South América Tour
Local: Auditório Araújo Vianna
Endereço: Avenida Osvaldo Aranha, 685, Parque Farroupilha, Bom Fim
Quando: 23 de abril, quinta-feira
Horário: 21h
Abertura da casa: 19h30
Veja Revisiting Creedence - “Green River” no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=AYKp-WNnmb0&list=RDAYKp-WNnmb0&start_radio=1

Hangar retorna a Porto Alegre após oito anos e toca no Espaço Marin ao lado do Ritualist nesta sexta-feira

Foto: Hangar/ Cogumelo em Cena
Após oito anos de ausência, o Hangar volta a Porto Alegre, onde se apresenta nesta sexta-feira, dia 17 de abril, ao lado da banda Ritualist, que abrirá o show. O evento, com produção da Arena Produtora, acontece no Espaço Marin, na Rua Professora Cecy Cordeiro Thofehrn, 413, Bairro Sarandi, em Porto Alegre, a partir das 20h.
Formado no final dos anos 1990, o Hangar, referência no Power e Heavy Metal sul-americano, preparou um repertório que revisita seus clássicos, como “To Tame a Land”, “Time to Forget”, “Reality is a Prison”, entre outros.
A atual formação da banda conta Pedro Campos no vocal, Cristiano Wortmann e Guto Gibson nas guitarras, Fabio Laguna nos teclados, Nando Mello no baixo e Aquiles Priester na bateria. O show do Hangar contará com a participação especial de Cristiano Poschi e Eduardo Martinez (ex-Hangar e Panic), respectivamente vocalista e guitarrista do Phornax, que subirão ao palco para somar forças com o sexteto.
Foto: Ritualist/ Cogumelo em Cena
O Ritualist terá a missão de aquecer o público, fazendo o show oficial de lançamento de seu novo álbum, “Awakening Protocol”. O disco traz uma sonoridade que funde o Heavy Metal tradicional a elementos modernos e extremos.
O evento acontece no Espaço Marin, que conta com uma grande infraestrutura física e tecnológica de áudio e iluminação de ponta. Com vendas de ingressos via Ticket Arena, o local oferece opções que dão acesso a mesas, camarotes com sofás e ingressos especiais para a melhor experiência possível do público de Porto Alegre.
Serviço:
Hangar “Stronger than Ever Tour” e Ritualist - Lançamento do álbum “Awakening Protocol”
Local: Espaço Marin
Endereço: Rua Professora Cecy Cordeiro Thofehrn, 413, Bairro Sarandi, Porto Alegre
Data: 17 de abril de 2026, sexta-feira
Produção: Arena Produtora
Apoio: Arena Heavy
Ingressos: Disponíveis no site Ticket Arena
Cronograma:
19h - Abertura das portas
20h - Ritualist
21h30 – Hangar
Ingressos:
https://ticketarena.com.br/event/hangar-em-porto-alegre/208
Veja o videoclip de “Prisioneiro do Alvorecer”, do Hangar: https://www.youtube.com/watch?v=M5r5YZGSgOk
Veja o videoclipe de “Silicon Heart” do Ritualist: https://www.youtube.com/watch?v=MreWmZBlEDE

segunda-feira, 13 de abril de 2026

MEN AT WORK EM DOIS SHOWS NO AUDITÓRIO ARAÚJO VIANNA, EM MAIO

Foto: Divulgação
Os anos 1980 são tão significativos, que uma banda marcante daquela época exige duas e não apenas uma data para se apresentar em Porto Alegre. Os australianos do Men At Work se apresentam no Auditório Araújo Vianna, na Avenida Osvaldo Aranha, 685, Parque Farroupilha, nos dias 13 e 14 de maio, a partir das 21h.
O grupo tem em seu currículo hits como “Down Under”, “Who Can It Be Now?”, “Overkill”, “It’s a Mistake” e “Underground”, é liderado atualmente pelo vocalista/guitarrista Colin Hay e único remanescente do line-up original.
O Men At Work foi formado em 1979 em Melbourne, na Austrália, e se tornou conhecido no mundo todo já com o seu disco de estreia, “Business as Usual” (1981). Em 1983, com o disco “Cargo”, conseguiu o feito de desbancar “Thriller”, de Michael Jackson nas paradas dos EUA.
A banda chega a Porto Alegre com a intenção de garantir aos fãs uma viagem no tempo, diretamente à época em que dominava as paradas nos anos 1980. A ideia é fazer uma verdadeira celebração da música que marcou a história do Pop Rock Mundial, com uma performance carismática e cheia de energia.
Liderada por Colin Hay (Vocais e Guitarra), a banda é composta atualmente por Cecilia Noël (backing vocal), Scheila Gonzalez (saxofone, flauta e teclados), Jimmy Branly (bateria), San Miguel Perez (guitarra) e Yosmel Montejo (baixo).
Serviço:
Men at Work
Local: Auditório Araújo Vianna
Endereço: Avenida Osvaldo Aranha, 685, Parque Farroupilha, Bom Fim, em Porto Alegre
Quando: 13 de maio de 2026, quarta-feira, e 14 de maio, quinta-feira
Horário: 21h
Abertura da casa: 19h30
Escute "Cargo" no Spotify: https://open.spotify.com/intl-pt/album/4GDchmJ8oESRJ58cDXvnE0
Veja “Who Can It Be Now?” no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=SECVGN4Bsgg&list=RDSECVGN4Bsgg&start_radio=1

quinta-feira, 9 de abril de 2026

NEY MATOGROSSO PÕE PÚBLICO PARA DANÇAR NO ARAÚJO VIANNA, QUE TERÁ OUTRO SHOW DO CANTOR NESTE SÁBADO

Texto e fotos: Chico Izidro
Passava um pouco das 21h da quarta-feira, dia 8 de abril, quando as luzes do Araújo Vianna se apagaram rapidamente e logo voltaram, para mostrar uma figura esguia e com uma roupa amarelo brilhante no meio do palco: Ney Matogrosso, do alto de seus 83 anos, nos 90 minutos seguintes daria um show de agilidade, pulando, dançando, mostrando o corpo sarado, e muito domínio vocal, para delírio do público, que lotou totalmente o auditório, para assistir o espetáculo “Bloco na Rua”. Ney fará uma segunda apresentação neste sábado, dia 11, novamente no Araújo Vianna, a partir das 21h.
A música “Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua”, de Sérgio Sampaio, abriu o show, calcado em covers de artistas brasileiros variados, desde Rita Lee, passando por Tim Maia, Barão Vermelho e até Raul Seixas.
Sobre a escolha das músicas, Ney antecipou: “Não é um show de sucessos meus, mas quis abrir mais para o meu repertório. Dessa vez eu misturei coisas que já gravei com repertório de outras pessoas”.
Ney agitou toda a plateia, cantando com muita força hits como “A Maçã”, de Raul Seixas, “O Beco”, dos Paralamas, que Ney havia gravado nos anos 1980. Teve também “Iolanda”, de Chico Buarque, “Pavão Mysterioso”, de Ednardo, “Jardins da Babilônia” e “Corista do Rock”, ambas de Rita Lee, “Mesmo Que Seja Eu”, de Erasmo Carlos. Todo mundo cantou junto, dançou.
Ney propôs após cantar “Sangue Latino”, dos Secos & Molhados (banda que alçou Ney ao sucesso nos anos 1970): “Eu proponho a vocês, o show acaba aqui ... aí eu ia fazer que iria embora, vocês ficariam pedindo pra eu voltar... então eu sigo direto mais um pouco e vou embora depois. Já estou cansado”, disse.
Então Ney emendou mais uns 20 minutos, soltando “Pro Dia Nascer Feliz”, do Barão Vermelho, “Como Dois a Dois”, de Caetano, e fechou com seu grande sucesso de 1981, “Homem com H”. O público aplaudiu por muitos minutos o cantor e sua banda. Um baita show.
O figurino e a produção visual do show foram um espetáculo à parte. A roupa brilhante usada por Ney foi desenhado pelo estilista Lino Villaventura, enquanto o cenário, com suas projeções, foi idealizado por Luiz Stein. A iluminação do show, sob a supervisão do dono de “Homem Com H”, recebeu assinatura de Juarez Farinon.
A banda que acompanhou Ney contou com Sacha Amback (direção musical e teclado), Marcos Suzano e Felipe Roseno (percussão), Dunga (baixo), Mauricio Negão (guitarra), Aquiles Moraes (trompete) e Everson Moraes (trombone).

Banda Sacrario retorna e anuncia novo material

Foto: Everton Krentz
Após um período de reestruturação e afastamento dos palcos, a banda porto-alegrense Sacrario está de volta. O grupo, surgida em 1990, retorna com nova formação e trabalhos já em desenvolvimento.
Com mais de três décadas de trajetória, o grupo construiu uma reputação sólida no Underground sul-americano, sendo responsável por álbuns como “Catastrophic Eyes” (1996/2008), “Stigma of Delu sion”(2010), “Beyond the Violence“ (2012), “Asesinos” (2012/EP) e “Circle of Psychopaths” (2015).
Agora, o retorno acontece com uma formação que une experiência, coesão e identidade artística bem definida: Fabbio Webber (guitarra e vocal), Gladimir Purper (guitarra e vocal/Apocrifus), Alex Carrion (baixo) e Everson Krentz (bateria).
O quarteto já se encontra em estúdio, trabalhando em novas composições que darão origem a um single inédito — o primeiro lançamento desta nova etapa — que também servirá como ponto de partida para um futuro álbum completo.
A nova fase da Sacrario promete manter a essência que consolidou a banda, com riffs agressivos, velocidade do Thrash Metal Clássico e uma abordagem contemporânea na construção das músicas.
O retorno também marca a retomada definitiva das atividades após o hiato imposto pela pandemia, período no qual a banda optou por focar na composição e reorganização interna.
Novidades sobre o single e futuros lançamentos serão divulgadas em breve.
Veja Lyric Video de “Circle Of Psychopaths” no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=xqGGZ8V6ImY

OMA, EM NOVO HAMBURGO, RECEBE NESTE DOMINGO AS BANDAS BETUME, MATÉRIA PLÁSTICA E SOULSELLERS

Foto: Divulgação Neste próximo domingo, dia 24, a OMA (Outro Mundo Acontece), na rua Cinco de Abril, 679, em Novo Hamburgo, recebe três ban...